O livro Evangelismo é uma compilação de textos de Ellen White. Ele foi montado e publicado em 1946, com a participação ativa de LeRoy Froom. Não foi um livro escrito por ela, mas sim, montado com base no agrupamento de suas declarações. Para se fazer uma compilação, as citações são localizadas em suas publicações originais (artigos, cartas, ou outros materiais), copiadas e retiradas do contexto em que aparecem nas fontes originais, e então, são agrupadas em forma de livro, sendo este subdividido pelos organizadores em capítulos e sessões, denominados respectivamente de acordo com o(s) responsável(eis) pela compilação, preparação e publicação do material.
LeRoy Froom, Roy Allan Anderson e Louise C. Kleuser sob o encorajamento do irmão Branson foram os responsáveis pela compilação desse livro. Nele foram colocadas citações previamente selecionadas que, postas juntas, pareciam apoiar a crença trinitária, além de que, nos títulos, subtítulos e também em citações de Ellen White foi inserida a palavra “Trindade”; palavra que Ellen nunca utilizou em seus escritos originais (KNIGHT, George R., Em Busca de Identidade, 2005, p. 118). Em uma carta escrita para Roy Allan Anderson, em 18 de janeiro de 1966, LeRoy Froom declarou:
“Estou certo de que estamos de acordo em avaliar o livro Evangelismo, como uma das grandes contribuições de que a Associação Ministerial teve parte naqueles dias. Você sabe o que aconteceu com os homens da União de Columbia que se depararam com as claras e inequívocas declarações do Espírito de Profecia sobre a Divindade de Cristo, a personalidade do Espírito Santo, a Trindade e coisas do gênero. Eles tiveram que depor os braços e aceitar essas declarações, ou então teriam que rejeitar o Espírito de Profecia. Eu sei que você e a Srta. Kleuser e eu tivemos consideráveis relações com a seleção dessas coisas, sob o encorajamento de homens como o irmão Branson, que sentiram que o conceito anterior dos irmãos do White Estate neste livro sobre evangelismo não era adequado.” (FROOM, LeRoy E., Carta para Roy A. Anderson, 18 de janeiro de 1966)[1].
Um exemplo de alteração nos escritos de Ellen e que aparece no livro Evangelismo, está em uma citação na página 615: “Há três pessoas vivas pertencentes à trindade celeste; em nome destes três grandes poderes — o Pai, o Filho e o Espírito Santo — os que recebem a Cristo por fé viva são batizados” (WHITE, E. G., Special Testemonies, Série B. N. 7, p. 62 e 63 (1905). Evangelismo, p.615). Se observarmos o manuscrito original, perceberemos que esta declaração deveria ter sido publicada com o termo “personalidades” e não “pessoas”. Vejamos a página do manuscrito original:

Fonte: www.centrowhite.org.br
Segundo o manuscrito original acima, Ellen White escreveu o termo “persons”, que significa pessoas, mas o corrigiu e colocou o que deveria ser o correto entendimento: riscou a letra “s” e acrescentou o final “alities”, modificando a palavra “persons” em “personalities” que significa “personalidades”. Além disso ela acrescentou o termo “the” logo após o início da frase.

Fonte: www.trinitytruth.org/leroyfroomandevangelism.html
Sendo assim, a frase do manuscrito original se encontra da seguinte maneira:
“There are the living thre personsalities of the heavenly trio in which every soul repenting of their sins believing receiving Christ by a living Faith to them who are baptized.”
Tradução:
“Existem as três personalidades vivas no trio celestial nas quais cada alma arrependida dos seus pecados recebendo a Cristo por meio de fé viva por eles são batizados.”
Vejamos a diferença do que foi colocado no livro Evangelismo e do que aparece no manuscrito original:
Livro Evangelismo, p. 615:
“Há três pessoas vivas pertencentes à trindade celeste; em nome destes três grandes poderes — o Pai, o Filho e o Espírito Santo — os que recebem a Cristo por fé viva são batizados” (WHITE, E. G., Special Testemonies, Série B. N. 7, p. 62 e 63 (1905). Evangelismo, p.615).
Manuscrito Original:
“Existem as três personalidades vivas no trio celestial nas quais cada alma arrependida dos seus pecados recebendo a Cristo por meio de fé viva por eles são batizados.”
Observando as duas citações lado a lado evidencia-se claramente que, para dar foco na doutrina da trindade, os responsáveis pela compilação do livro omitem o artigo “as/the”, ignoram a correção feita por Ellen White no termo “persons/pessoas” e o mantém no texto em vez de colocar o termo “personalities/personalidades”, usam a palavra “trindade” que Ellen não usou no original e inserem “em nome destes três grandes poderes – o Pai, o Filho e o Espírito Santo”, que no manuscrito também não aparece.
Há uma importante diferença conceitual entre os termos “pessoa” e “personalidade”, que se, devidamente observada, pode justificar a alteração que Ellen fez a fim de promover ao leitor uma compreensão adequada da ideia que ela estava querendo transmitir. “Person” significa “pessoa” (plural é “persons”: pessoas). “Personality” significa qualidades, características, caráter, entidade (plural é “personalities”). Era sobre esse termo “personality” que William White, filho de Ellen fez uma importante declaração a respeito da compreensão que ele tinha sobre a personalidade do Espírito Santo. Conforme já visto, na carta que escreveu para Carr, em 20 de abril de 1935 lemos:
“As declarações e os argumentos de alguns dos nossos ministros em seus esforços para provar que o Espírito Santo era um indivíduo como é Deus, o Pai e Cristo, o eterno Filho, têm me deixado perplexo e algumas vezes eles me tem entristecido. Minhas perplexidades foram minimizadas quando aprendi, no dicionário, que um dos significados de ‘personalidade’ era características. Isto está declarado de tal forma que eu concluí que pode haver personalidade sem uma forma corpórea a qual o Pai e o Filho possuem.” ((WHITE, W.C., Carta de 30 de abril de 1935 para E. H. W. Carr)[2].
Esse é apenas um dos inúmeros exemplos que poderíamos citar, que revelam a intenção dos compiladores desse livro de levar os leitores a obterem uma compreensão trina a respeito de Deus, num sentido bem diferente daquele que os pioneiros O compreendiam.
Para saber mais sobre a fé dos pioneiros clique aqui.
Outro texto presente no livro Evangelismo que busca justificar a crença em três deuses coeternos (Deus Trino), é este:
“O príncipe da potestade do mal só pode ser mantido em sujeição pelo poder de Deus na terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo. — Special Testimonies, Série A, 10:37 (1897).”Evangelismo, p. 617.
No Special Testimonies, Série A, 10:37, de onde foi retirada esta passagem para compor o livro Evangelismo, encontramos esta passagem escrita da seguinte maneira:
“The prince of the power of evil can only be held in check by the power of God in the third person of the Godhead, the Holy Spirit.” SpTA10 – Special Testimonies for Ministers and Workers – No. 10 1897, 37.1
Observe que no artigo original onde se encontra a passagem, está escrito “Divindade”e no livro Evangelismo, foi colocado o termo “Trindade”, termo este que, conforme mencionado anteriormente, Ellen White, nunca utilizou em seus escritos.
[1] Carta original disponível em Inglês https://www.trsc.today/php/Letters/LE%20Froom%20to%20RA%20Anderson%20(Jan%2018,%201966).pdf Em Português https://quartoanjo.com/wp-content/uploads/2020/10/lefroom-para-raanderson-18.01.1966.pdf
[2] Carta completa disponível em Inglês:https://quartoanjo.com/wp-content/uploads/2020/09/carta-w.c.w-para-carr-30.04.1935.pdf . Em Português: https://quartoanjo.com/wp-content/uploads/2020/05/carta-w.c.white-1935.pdf


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